domingo, 9 de fevereiro de 2014

Paul McCartney: o homem das mil vozes


         Ao longo de sua brilhante carreira, Paul McCartney sempre foi reconhecido como um exímio vocalista e elogiado por sua extensão vocal. No entanto, muitos beatlemaníacos não se atentam para uma das mais extraordinárias qualidades de Paul: sua incrível versatilidade vocal. No decorrer de sua trajetória, o britânico demonstrou uma enorme variedade de técnicas e timbres. Assim, não pretendo assinalar aqui seu alcance nos graves e agudos (uma rápida busca no youtube aponta vídeos que exploram essa qualidade; clique aqui e aqui para conferir), mas sua capacidade de se expressar com diferentes colorações e características na voz.  Por isso, como admirador e fã, selecionei alguns trechos de músicas que ilustram essa diversidade e mostram como Paul é o homem das mil vozes. Confira no vídeo abaixo, prestando atenção à voz do ex-Beatle.


          De modo geral, acredito que na memória da maioria das pessoas a voz de Paul McCartney seja suave e doce, como em Yesterday. Essa delicadeza vocal, no entanto, não se restringe a uma fase específica da carreira: em Till There Was You, de 1963, e em Hello, Goodbye, de 1967, uma suavidade semelhante também está presente. Assim, é interessante notar  que as características da voz de Paul não são determinadas por sua idade ou momento da trajetória musical, mas por escolhas técnicas que mais se adequam ao estilo de cada canção. Contrastando com essa voz doce, a agressividade presente nos vocais de Helter Skelter garantiu a identidade barulhenta da música que viria a originar o Heavy Metal. O vocal “rasgado”, característico do drive, é marcante também em canções como Sgt. Peppers e Oh! Darling, principalmente nas notas mais agudas. Na exibição ao vivo de Jet, em 1976, esse recurso é notável e garante o que pode ter sido a mais impressionante apresentação vocal de Paul, com então 34 anos e agudos poderosos e impecáveis. Em Monkberry Moon Delight, o ex-Beatle surpreende sustentando o drive ao longo de toda a música, de modo que muitos fãs se questionam se é realmente ele cantando.
Em relação ao timbre vocal, a maioria das composições de Paul revela uma voz clara e brilhante, com bastante intensidade nas notas agudas, como Hold Me Tight e She Loves You, do início da carreira dos Beatles, e Silly Love Songs, com os Wings. Já nos anos 80, em carreira solo, Coming Up  é cantada com tamanha leveza e brilho que novamente sua voz se torna quase irreconhecível. Por outro lado, canções como Lady Madonna e Let It Be mostram uma voz pesada e aveludada, completamente diferente dos exemplos anteriores. You Never Give Me Your Money, do inesquecível álbum Abbey Road (1969), é por si só uma ilustração da versatilidade vocal de Paul McCartney. Inicialmente, no dueto com John, a voz de Paul é suave e brilhante. No verso que se segue a voz do baixista surge  com um timbre grave e encorpado. O apreciador desavisado, quando escuta a essas canções  pela primeira vez, pode não saber dizer se é Paul ou Ringo cantando.
O que é, sem dúvidas, inconfundível na voz de Paul McCartney é  seu controle sobre os gritos rasgados característicos do rock n’ roll. Nos primeiros anos dos Beatles, fortemente influenciados pelo rockabilly, os poderosos berros de Paul são marcas memoráveis de hits como I Saw Her Standing There, Twist And Shout e Long Tall Sally. Já no fim dos Fab Four, Paul mostra novamente seu controle nos falsetes e drives no inesquecível grito de Hey Jude. Entretanto, o ex-Beatle mostrou também ao longo de toda sua carreira um invejável domínio dos falsetes leves e suaves. Em Mother Nature’s Son e Maybe I’m Amazed os agudos são límpidos e as notas claras e bem colocadas. Em 2002, na exibição de My Love, Paul, com 60 anos e algumas mostras de cansaço devido a idade, surpreende e encanta com falsetes incríveis e voz impecável.

Essas são algumas das mil vozes de Paul McCartney. Sua versatilidade vocal foi, sem dúvidas, algo que contribuiu para o brilhantismo dos Beatles com composições dos mais variados estilos. Espero, por fim, ter feito observações que indiquem possibilidades de ouvir e apreciar a obra de um dos maiores nomes da música no último século.

5 comentários:

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  3. Muito boa esta análise, a voz de Paul realmente é bem extensa e isso se evidencia também pelos duetos e trietos com Harrison e Lennon, onde ele sempre coloca sua voz em 8ª bem agudas em comparação com os outros, em "Yes it is" e "Baby's in Black", mas também seria bom destacar as qualidades dos outros Beatles. Lennon também tinha uma grande extensão vocal, em musicas como "Twist and shout", os drives no final da musica "Mother" "well well well" e muitas outras.

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  4. Fui ao show de Paul em Salvador,a extensão vocal dele é incrível, foram mais de duas horas de show, sem enrolação,afinadíssimo, banda incrível, teve de rock pesado a baladas.

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